Eu vi com meus próprios olhos meu marido escolher outra mulher sob o luxuoso lustre de um restaurante, como se eu nunca tivesse existido.

— Estranho… aqui consta que ele não tem cônjuge registrado.

Meu estômago afundou.

— Isso é impossível.

— Também consta que o principal contato de emergência… é uma mulher chamada Minh Anh.

O nome caiu como uma lâmina.

Minh Anh.

A mulher da noite do restaurante.

A mesma que ele segurou pela mão antes de me destruir diante de todos.

Meu corpo travou.

— Posso vê-lo agora? — perguntei, mais baixo.

Desta vez, ela não recusou.

Quando entrei no quarto, ele estava acordado.

Olhos abertos.

Mas não havia alívio neles.

Só confusão… e algo pior.

Medo.

Ele me encarou como se eu fosse um fantasma.

— Você… voltou — ele sussurrou.

Eu dei um passo à frente.

— O que está acontecendo? Quem é você realmente?

Ele tentou se levantar, mas os aparelhos o impediram.

E então ele disse algo que fez o mundo ao meu redor desabar:

— Eu nunca fui o homem daquela noite.

Silêncio.

Meu sangue gelou.

Ele respirou fundo, como se cada palavra doía.

— Naquela noite… alguém estava usando meu nome. Minha identidade. Minha vida.

Eu recuei instintivamente.

— Isso é absurdo…

Mas ele balançou a cabeça.

— Não é.

Ele apontou com dificuldade para uma pasta ao lado da cama.

— O hospital recuperou isso da investigação do acidente… dois dias antes do coma.

Minhas mãos tremiam quando abri.

E então eu vi.

Uma foto.

E não era dele.

Era um homem idêntico.

Quase perfeito.

Mas não era o meu marido.

Uma segunda identidade.

Um registro falso.

E no final do documento, uma anotação que fez meu mundo parar completamente:

“Projeto DUPLO — substituição de identidade em ambiente corporativo e familiar. Alvo principal: esposa legítima.”

Eu senti o chão desaparecer.

— Isso quer dizer… — minha voz falhou.

Ele me olhou, agora com uma dor real nos olhos.

— Quer dizer que alguém não queria apenas me substituir.

Uma pausa.

E então a frase final, que destruiu tudo:

— Queriam viver a minha vida… e apagar você dela desde o início.

Do lado de fora do quarto, uma porta se abriu lentamente.

Passos.

Lentos.

Deliberados.

E uma voz feminina soou atrás de mim:

— Ele finalmente acordou… que pena.

Eu virei devagar.

Minh Anh estava ali.

Sorrindo.

Como se tudo aquilo tivesse sido planejado desde o primeiro dia.

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